terça-feira, 29 de abril de 2014

Admitir o erro, não é "NOBRE"


(Foto: Gustavo Serbonchini/ globoesporte.com/Edição: Adriano Carvalho)


A guerra está declarada! A imprensa em geral já escolheu o lado que vai defender, e não é o nosso.
A velhas rusgas e a mítica história da tentativa de tomar o Parque Antárctica estão de volta. Tudo isso causado por um jogador que embora tenha suas qualidades não é um craque da bola.
O presidente do alviverde Paulo Nobre foi aos microfones alardear contra o Aidar e o Tricolor, muitas análises foram feitas, muita coisa foi dita mas tenho minha versão particular do que aconteceu.
Não vou usar aquele velho clichê de dizer que como qualquer outro trabalhador Alan kardec tem o direito de ir aonde lhe paguem mais, nem vou cometer a estupidez de comparar outros profissionais a um jogador de futebol. Embora entenda e alguns torcedores não, futebol é paixão para quem acompanha de fora, quem vive dele pensa, e com razão com a carteira.

Kardec chegou ao time de Parque Antárctica em Junho do ano passado, o atleta que estava encostado no Benfica de Portugal desembarcou em terras tupiniquins para jogar por empréstimo de um ano.
Certamente nem o mais otimista esperasse um desempenho tão bom no inicio da temporada 2014 e a valorização do jogador foi as alturas, chegou a ser cotado para defender a seleção, era o artilheiro do time.
Mesmo com esses fatos a diretoria alviverde esperou até o limite para tentar a contratação em definitivo do atleta. Kardec esperou pacientemente, aceitou o salário, o contrato por produtividade e depois de tudo acertado só faltava o aval do presidente.
Nobre resolveu barganhar, existe um ditado que diz que o combinado não sai caro, o presidente talvez não conheça, e por uma redução de R$20 mil irritou Kardec que negociava a mais de dois meses os termos do contrato e já tinha tudo como resolvido.
Paulo Nobre blefou, acreditava que o atacante aceitaria de bom grado mais um imposição do clube, pensava que para o jogador era isso ou voltar para o Benfica. A insatisfação caiu na boca da mídia e o São Paulo assim como outros foram atrás do jogador. Nobre pagou para ver, depois de perceber o tamanho da burrada tentou correr atrás do prejuízo, mas já era tarde.
Deve ter passado as últimas noites pensando, como explicaria a sua torcida tamanha vacilo? Achou uma solução. Jogar a culpa no clube que o contratasse, tirar o foco de sua incompetência e sua avareza ao pechinchar com o destaque do seu elenco.
Dizer quase que com voz embargada que falta união dos clubes, que o São Paulo não poderia negociar com um jogador que não era do alviverde. Enfim falou sobre ética e nesse tema quero encerrar esse texto.

O termo ética deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa). Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado. Neste sentido, a ética, embora não possa ser confundida com as leis, está relacionada com o sentimento de justiça social.
Paulo Nobre é exemplo no assunto, vou aqui relembrar um ato ético do mandatário.
Gilson Kleina aceitou treinar o rebaixado Palmeiras quando ninguém mais queria, fez dentro de suas possibilidades o melhor e trouxe de volta o clube a primeira divisão. Seu prêmio foi o de ficar messes esperando uma renovação contratual.
Próximo do fim de 2013 todos os jornais esportivos noticiavam a tentativa de Nobre em contratar o argentino Marcelo Bielsa, e o clube não negou tal vontade, mesmo com Kleina ainda no comando.
Depois de uma rápida consulta o hermano pediu a bagatela de R$ 1 milhão por mês livre de impostos, e o Plano B foi renovar com Kleina.
Embora hoje os comentaristas, jornalistas e afins elogiem muito essa permanência não citam a forma ética como ela foi conduzida, Kleina se submeteu Kardec não, simples assim.
É Nobre, talvez fosse mais ético admitir os próprios erros ao invés de culpar o vizinho, literalmente. 

"Geralmente, quem foge da ética é, fatalmente, atropelado pela moral."

Pro São Paulo FC Fiant Eximia

Concorda? Não? Deixe seu comentário de forma educada.
Twitter @AdrianoC80

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Muito Fraco!

Pato tenta jogada em noite sem inspiração


Caros Tricolores! Começo minha crônica tentando entender como todos o que acontece com o São Paulo?
Percebo nesse ano alguns resquícios de 2013, está claro que a apatia que rondou o Morumbi no brasileiro do ano passado ainda está presente no elenco.
Na noite de ontem, pudemos observar vícios que esse elenco já vem demostrando e que foram responsáveis pela eliminação no Paulistão. A apatia que foi ressaltada pelo nosso capitão tem sido uma constante, e já deu as caras em outras partidas. Geralmente esse comportamento ocorre  como uma síndrome pós título onde os jogadores se acomodam e naturalmente tem queda de rendimento.
Mas porque isso vem ocorrendo no Tricolor? Conversando com outros são paulinos e pensando aqui comigo não tenho uma conclusão formada, me parece que o perfil de alguns atletas que compões o elenco é o de pura e simples acomodação. Boa estrutura, boa alimentação, bom preparo físico e bom salário em muitos casos ocasionam esse comportamento.
O São Paulo que atuou no domingo e venceu com propriedade o Botafogo, não passa nem perto do que foi visto no Rei Pelé. Com um inicio de jogo muito bom foi só abrir o placar para que os comandados de Muricy tirassem totalmente o pé.
Em alguns lances é possível notar a falta de vontade e desatenção total na marcação, o que acaba colocando uma interrogação na cabeça do torcedor.
Qual São Paulo irá a campo no próximo jogo, o da Copa do Brasil ou o do Brasileirão? Vale lembrar que no primeiro jogo da Copa os jogadores também não forçaram muito, não correram e de certa forma empurraram com a barriga.


Apesar da péssima, horripilante e desastrosa arbitragem do senhor Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro, que só aplicou amarelos contra o Mais Querido e expulsou equivocadamente Rodrigo Caio, o São Paulo é muito mais time, e mesmo com essas adversidades tem obrigação de atuar com no mínimo mais garra.

Apesar de ter um enorme respeito pelo Muricy, ainda tenho muita desconfiança em relação ao sua capacidade de mudar algo em partidas decisivas. Vide suas mexidas desastrosas ontem e sua passividade diante do Penapolense.
Sei que o perfil do treinador é outro, e embora tenha sido discípulo do Mestre Telê não me parece que tenha aprendido com ele como motivar jogadores para jogos decisivos. Ainda não aceito o fato de que ele não consegue a beira do campo mudar o panorama de uma partida. No jogo da volta o torcedor não espera apenas uma vitória, e sim uma apresentação consistente. Também esperamos uma regularidade que tem faltado ao time desde o começo da temporada.
Costumo criticar abertamente alguns atletas, mas nesse texto vou me ater a um pensamento. Não importa o presidente nem o treinador que comanda o clube. Não importa o número de torcedores presentes dentro do estádio. Sem alma, sem vontade e sem determinação não há possibilidade de conquista, seja por três pontos seja pela taça de campeão.
A torcida sempre pede raça. Eu peço respeito ao adversário e ao manto sagrado de três cores, apatia vestindo o manto é inadmissível! 

Pro São Paulo FC Fiant Eximia

Concorda? Não? Deixe seu comentário de forma educada.
Twitter @AdrianoC80

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Como nasce um torcedor?



Vislumbramos um futuro incerto, porém nosso amor é incondicional


No próximo sábado os sócios do São Paulo vão as urnas. O futuro da clube será definido pelos próximos anos, umas das eleições mais importantes das últimas décadas. O que vai acontecer dependerá dos 80 eleitos, e os rumos que o Mais Querido seguirá são incertos.
Sou o que chamamos de torcedor comum, o cara que acompanha o time por amor a camisa, que consome a marca São Paulo. Que vai ai Sacrossanto sempre que possível, que dedica um tempo para escrever como torcedor para o torcedor.
Os últimos anos foram complicados, entramos em um recesso de bons resultados, uma decadência na excelência que sempre nos foi peculiar. Muitos foram eleitos responsáveis por seguidos fracassos, o torcedor apedrejou até alguns ídolos recentemente, tudo por motivos que eu não consigo definir.
Então me pergunto como nascem os torcedores? O que faz um individuo escolher um clube de futebol para torcer?
Nós que não decidimos o futuro daquilo que prezamos e defendemos com muito afinco, nós que formamos a massa humana que fez do Tricolor um dos maiores do mundo esperamos de volta a força de um gigante que se apequenou.
Mas seja qual for o próximo presidente e diretoria, o torcedor continuará ao lado da instituição, do símbolo que representa uma nação. Resgato aqui um texto antigo postado em um desses momentos de incerteza, uma releitura de como escolhi o Time da Fé:

"A grande maioria de nós não sabe precisar com exatidão quando e o porque começou a torcer pelo São Paulo. 
Mas eu me lembro do ano, era 1988! Um ano em que o Tricolor não foi bem, o jogo era contra o Santos no Morumbi, jogo válido pelo Campeonato Paulista.
O comentarista da Radio Record dizia que o Tricolor era favorito mas o resultado final foi um derrota por 3 a 0.
Meu pai que é santista saiu garganteando: "Esses pó de arroz não são de nada!" 
Confesso que nessa época já nutria carinho pelo Time da Fé, no entanto não pelo futebol e sim pelo fato do time carregar o nome e as cores da cidade em que nasci (as cores descobri mais tarde serem por outro motivo).
Naquele dia decidi que iria torcer pelo Mais querido, por que a cidade de São Paulo era muito melhor do que a de Santos (coisa de criança).
O tempo passou, tomei consciência do que o São Paulo, a história, as glórias e a grandeza que esse clube adquiriu só me fizeram amar cada vez mais o Tricolor Paulista.
Hoje estamos vivendo momentos parecidos com aquele, um sentimento de derrota. Um ar de incertezas com um futuro obscuro, mas cheguei a conclusão:
Passei a torcer para esse clube em uma derrota, depois vi o mesmo clube conquistar o Brasil, a América e o Mundo e apesar do desânimo de ver uma potência do futebol com um elenco tão medíocre, com uma mentalidade atrasada sempre amarei o São Paulo Futebol Clube.
Uma derrota sempre abate aqueles que são apaixonados, mas nunca diminuem o sentimento, assim são as fases e uma hora nossas glória vão retornar, força amigos porque o time muda mas não muda o amor pelo Tricolor do Morumbi."

Isso posto. Afirmo meu desejo de ver independentemente de quem vença esse pleito, um São Paulo com a mentalidade de campeão. Mas também, desejaria uma torcida mais preocupada com temas que influenciam e muito no dia a dia, com mais apego ao time mesmo nos piores momentos.
Não posso decidir quem vai "mandar" mas vou continuar sempre carregando o São Paulo na alma.

Ex nihilo nihil fit

Concorda? Não? Deixe seu comentário de forma educada.
Twitter @AdrianoC80

quinta-feira, 27 de março de 2014

100eni

"Na barreira, Alessandro, Ralf, Leandro Castán, Paulinho e Jorge Henrique se agarravam para tentar de qualquer jeito evitar que a bola passasse. Não teve jeito. Com um capricho visto só por quem realmente é especialista no que faz, Rogério mandou a bola no ângulo. festa são-paulina."




No dia 27 de Março de 2011, o São Paulo entrava em campo para mais um jogo do Campeonato Paulista, a partida válida pela 16ª rodada, tinha além da rivalidade óbvia um ingrediente diferente.
O M1TO entrou para aquele jogo com 99 gols marcados, e poderia naquele dia chegar ao 100º aumentando seu recorde e marcando para sempre o rival. Alguns dias antes do jogo o próprio goleiro fez questão de não alimentar  a ansiedade  que tomava cota do torcedor foi direto ao dizer "Eu prefiro ganhar o jogo (a fazer o gol). Precisamos vencer. O centésimo gol uma hora vai sair, o objetivo maior é ganhar o jogo."
Nossos rivais preocupados, trataram de recorrer a velha estratégia de diminuir o possível feito, tentaram  a todo custo afirmar que o gol que não levariam nem poderia ser considerado o 100º uma vez que, adivinhem: "A FIFA não reconhece!"

No dia do jogo sem Lucas que estava servindo a seleção e tentando derrubar o tabu de 11 jogos (eles não sabem ou fingem não saber, mas o maior tabu está a nosso favor 14 jogos entre 2003 e 2007) o São Paulo com o goleiro-artilheiro e também o goleiro-goleiro, escreveu mais um pouco da história, dessa vez longe de casa já que o jogo foi na Arena Barueri devido aos shows no Sacrossanto.
Aos 40 minutos do primeiro tempo Dagoberto soltou a perna direita, num chutaço a bola entrou no canto esquerdo do goleio Julio Cesár que nem viu a "la cor de la pelota".
No segundo tempo, o jogo começou bem para o Tricolor, ao 7 minutos da etapa final Fernandinho pegou a bola na esquerda do ataque, trouxe a jogada para perto do bico da grande área e foi derrubado, falta assinalada com convicção pelo árbitro Guilherme Cereta de Lima. A torcida comemorou, os jornalistas correram para se posicionar, os fotógrafos brigaram pelo melhor lugar atrás do gol, e por alguns segundos a tensão normal em clássicos deu lugar a ao silêncio vindo da arquibancada reservada aos visitantes.
O M1TO fez sua caminhada solitária, saindo da área de defesa em direção ao ataque, ajeitou a bola, olhou por fora da barreira, esperou o apito do árbitro e fez história.
Não vou dizer que o estádio entrou em festa por que seria uma mentira, uma nação entrou em festa em vários pontos da cidade, de vários lugares do estado e em muitas cidades do país.




Rogério Ceni deixava mais uma marca definitiva, aumentava seus número de gols e marcava para sempre o clássico.
Hoje faz 3 anos desta data, e nossos rivais ainda tentam em vão diminuir o feito. Quis o destino que o gol saísse no clássico mais acirrado das últimas décadas, quis o destino que fosse de falta a especialidade do  M1TO.
Mesmo vivendo um quinta feira atípica pelo ocorrido de ontem, sempre se deve relembrar o que faz o futebol ser amado e odiado de certa forma na mesma proporção.
Rogério Ceni é um lenda que ainda está dentro dos gramados, um ídolo que mesmo não reconhecido por 100% da própria torcida inegavelmente deixou seu nome eternizado.


        

quarta-feira, 26 de março de 2014

Era Decisão?



No momento em que me sentei a frente do computador fiquei pensando como poderia escrever essa crônica. Não sei bem como definir o que assisti hoje no Sacrossanto, não sei como explicar o comportamento tão apático para um jogo que valia muito mais do que os três pontos, será que os jogadores sabiam que era uma decisão?
Reclamar que o visitante venho para se retrancar é inócuo, desde que o futebol virou um esporte de competição esse tipo de estratégia é usada por equipes inferiores tecnicamente, se bem que hoje não posso dizer que o São Paulo é muito superior a alguns times.
Penso que o que tem faltado a esse elenco, e já descrevi isso em textos anteriores é alma, garra, gana de vencer, espirito competitivo e outros valores que formam qualquer elenco que sonha conquistar títulos.
Não enxergo nos jogadores que hoje vestem o manto o perfil que sempre existiu em nossas maiores conquistas, e mesmo nos elencos mais limitados que tivemos. Dessa vez não vou citar os nomes, mas a maioria dos torcedores com bom senso sabe quem são.


O Campeonato Paulista hoje não é uma competição importante no calendário, mas não conseguir chegar a final do estadual a 11 anos não pode ser considerado algo normal.

A partida que foi jogada hoje, foi uma demonstração de pouco caso, o semblante dos atletas era tão frio que em alguns momentos eu mesmo me alertava que era uma jogo de quartas de final.
Muricy que nos tirou do rebaixamento no ano passado, continuará seu estigma de não conseguir títulos em torneios eliminatórios a frente do Mais Querido, o que espero não ter que ler e ouvir é que nosso camisa 9 não fez seu papel, algo que está se tornando um ritual entre nossa torcida.
Só não entendi porque um time que joga dentro de casa com apoio do torcedor mesmo que em numero menor, volta para um segundo tempo sem o menor interesse em vencer, sem compreender que contra times retrancados o melhor remédio é a movimentação é o a troca de passes rápidos.
Agora o que nos resta é a Copa do Brasil, assim como ano passado nos restava a Libertadores, assim como ano retrasado nos restava a copa do Brasil, assim como no ano antes nos restava a Copa do Brasil e assim tem sido sucessivamente, num ciclo que parece estar longe de se encerrar.
Também não compreendi por que nosso técnico assistiu a partida e não enxergou a necessidade de substituir, sua única troca foi a de um atacante por outro, tirando um bom cobrador de penalidades para a entrada de um corredor enrolado.


No fim o são paulino mais uma vez se questiona o que acontece com o time que tem estrutura, bom salário, bom ambiente de trabalho mas que não consegue nos últimos anos sequer derrotar equipes modestas como o Penapolense e o Avaí, que não consegue bater de frente com os maiores rivais que não tem elencos tão superiores. São questionamentos aceitáveis de quem ama o clube, e que se acostumou a ver um São Paulo vencedor, e quando não uma equipe que entra para vencer desde o mais fraco até os maiores times do mundo.

Sei que nossa realidade é outra, sei que nossas pretensões são bem menores, sei que os problemas internos refletem dentro do campo, sei o tamanho que o Tricolor tem, sei que o torcedor está desanimado. O que não sei é deixar de torcer e amar o clube de três cores, que de uns anos para cá vem perdendo o que tinha de melhor.
Essa eliminação não pode ser encarada como um simples tropeço, cobranças tem que ser feitas, eliminações assim não são normais para nossas tradições e não podem se tornar rotineiras. Está no hora do São Paulo ser São Paulo, não no nome mas na grandeza.



Concorda? Não? Deixe seu comentário de forma educada.
Twitter @AdrianoC8

sábado, 15 de março de 2014

Problema de Quem?



Foto: SPFC.Terra/Edição Adriano Carvalho

O São Paulo entrará em campo logo mais para mais uma partida do Campeonato Paulista 2014. O jogo contra o Ituano seria apenas mais uma partida simples, algo rotineiro senão por um motivo.
Já classificado o Mais Querido pode decidir o futuro da equipe do Parque São Jorge, e isso deixou a imprensa em polvorosa durante essa semana.
As mesma matérias de sempre foram ao ar, os mesmos questionamentos de sempre foram levantados, tudo roteirizado da forma que eles gostam. Pode passar desapercebido. mas tudo isso tem um objetivo.
Imaginem se o clube da mídia cair na fase de classificação de um campeonato que passa longe de ter um grande nível técnico?
Exatamente galgados nesses interesses, eles repetem aquele velho jogo do São Paulo contra o Juventus. Até a entrevista do então técnico Cuca após o jogo foi reprisada, em sua fala ele dizia esperar um dia a retribuição pela ajuda que foi dada. Ajuda que evitou o rebaixamento do time alvinegro naquele ano. Com dois gols na partida o atacante Grafite ficou até hoje marcado pela "ajuda". O que ninguém mostrou foi a retribuição, anos depois em situação diferente o Tricolor precisava da vitória do rival. Vitória que não só não veio, como os jogadores da Fazendinha passaram a semana toda dizendo que gostariam que o clube que eles iriam enfrentar no fim de semana fosse campeão.


No Paulistão de 2004 Grafite ficou marcado

Estou poupando os detalhes porque todo torcedor sabe bem ao que me refiro, e mesmo com tudo isso sei que minha opinião vai divergir de uma maioria, mas vai encontrar reforço em outra parte. 
Independente do que o rival precise, o São Paulo tem que entrar em campo para vencer, não importa quem, não importa a situação, um time do tamanho do clube do Morumbi jamais, repito. Jamais deve pensar de outra forma. Nosso torcedor não pode e nem deve confundir a rivalidade com falta de honra, não deve gritar o irritante "entrega" que já foi ouvido em outrora.
Temos que pensar no que nosso time pode fazer dentro do campo, não no que os outros deixaram de fazer, isso não significa que a obrigação de vencer seja maior para provar a um bando de torcedores de microfone que jogamos seriamente.
A questão para mim está fixada nesses ponto, vencer não é uma obrigação, mas é um compromisso de quem veste o manto.
Será inevitável a pressão de uma parte da torcida que infelizmente torce mais pelo insucesso dos rivais do que pelas nossas glórias. Retrato atual que foi pintado com as tintas de quem preteriu grande parte dos clube em benefício de apenas um.
Gostaria de ver o torcedor apenas torcendo pelo São Paulo, incentivando e cantando o mais belo hino a plenos pulmões, sem se importar com o que possa acontecer em Penapolis. Entender que acima do rival está algo muito, mas muito mais importante, o SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE, se eles se classificarem ou não isso é problema de quem? Garanto que não é nosso.


Apesar do esforço sobre-humano Felipe não defendeu a penalidade em 2009


Concorda? Não? Deixe seu comentário de forma educada.





sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

12 contribuições quase secretas do M1TO ao dia a dia do São Paulo

Rogério Ceni acumula 24 anos no São Paulo. Viveu como jogador quase um terço de toda a história do clube desde o recomeço em 1935. Os feitos famosos do goleiro e capitão, como os gols em cobranças de falta e a atuação no Mundial de 2005, todos conhecem. No entanto, Ceni acumulou uma série de costumes nas mais de duas décadas no São Paulo que contribuem de forma quase secreta para o funcionamento do futebol são-paulino no dia a dia.
Para conhecer as ações feitas por Ceni sob discrição, o UOL Esporte conversou com jogadores, comissão técnica, dirigentes e funcionários do São Paulo, e encontrou um capitão que serve como pilar de sustentação do departamento de futebol. Rogério Ceni é goleiro, artilheiro, preparador, dirigente, tutor, psicólogo e bombeiro do São Paulo
Aos 41 anos de idade, o goleiro joga a última temporada antes da aposentadoria, no fim deste ano, e deixa todo o clube apreensivo pelo cenário que restará após sua saída. Hoje a presença de Rogério Ceni fora de campo é insubstituível.  Veja abaixo por quê:
1- Olho no Reffis
Ricardo Nogueira/ Folha Imagem

Rogério Ceni frequenta o Reffis do CT da Barra Funda, mesmo quando não está machucado. O goleiro procura sempre saber o andamento do tratamento de cada jogador lesionado do elenco. Sabe o tipo e a gravidade de cada lesão. O goleiro vai ao Reffis para motivar e manter os atletas machucados próximos do convívio do elenco.

2- Pontualidade
Ricardo Nogueira/Folhapress

Rogério Ceni é pontual. É o primeiro a chegar e o último a sair. E não gosta de atrasos. Ele exige que tanto o elenco como outros funcionários do CT cumpram os horários programados para a semana. Quem sai da linha pode até não levar bronca, mas fica marcado de perto pelo capitão.
3- Impede "panelas"
Site oficial/saopaulofc.net

O goleiro atua contra a criação de panelas no elenco. Entre conversas com diferentes grupos, trabalha para que não se criem rodas restritas de amizade entre jogadores. A atitude é elogiada pela diretoria e vista como fundamental para reduzir as possibilidades de atritos internos.  

4- Folga é trabalho
Rivaldo Gomes/Folha Imagem

O goleiro não encara a folga apenas como tempo para descansar. É comum encontra-lo na academia do CT da Barra Funda nas manhãs de segunda-feira, quando normalmente o elenco está de folga após jogar no domingo. O treino, que começaria às 16h, para Ceni começa às 9h. O capitão justifica que treina mais para compensar os 41 anos de idade e evitar lesões. Para a diretoria, comportamento exemplar que influencia positivamente os companheiros.
5- Apaga incêndios
Divulgação/Vipcomm

Isso não acontece em todos os casos, mas Ceni intervém em atritos entre dois jogadores ou entre um jogador e um membro da comissão técnica. O goleiro não é orientado pela diretoria a fazer isso, mas atua por conta própria quando julga necessário e oportuno.
6- Aponta reforços. E conversa
Junior Lago/UOL

A diretoria dá a Rogério Ceni a liberdade para sugerir contratações. O goleiro vê futebol, pensa em ficar no esporte e até se tornar treinador depois de se aposentar, e costuma levar alguns nomes aos dirigentes do departamento de futebol. Se convence, tem aval também para conversar com o alvo da diretoria e sondar a transferência para o São Paulo.
7- Dicas aos zagueiros
Rodrigo Capote/UOL

Os jogadores que jogam na linha de defesa do São Paulo não encerram o aprendizado tático no campo e nas palestras de Muricy Ramalho. Rogério Ceni também conversa com os defensores nas concentrações para ajustar detalhes como posicionamento em bolas paradas e saídas de jogo.
8- Recepção a contratados
Rubens Chiri/saopaulofc.net

A tradicional foto de Rogério Ceni cumprimentando cada novo reforço do São Paulo, sempre publicada pelo site do clube, não é fachada. O goleiro realmente recepciona cada reforço que se transfere ao clube. A diretoria diz que tal costume de Ceni alivia os dirigentes de papel importante, ao introduzir novos atletas ao clube e aos demais companheiros.
9- Aula aos garotos
Almeida Rocha/Folhapress

O goleiro não vai ao CT de Cotia para conversar com os jogadores das categorias de base do São Paulo, mas trabalha pela ambientação de cada jovem que é promovido ao time profissional e passa a treinar na Barra Funda. As "aulas" aos garotos, como Gabriel Boschilia e Ewandro, que atualmente despontam com Muricy Ramalho, acontecem nos trajetos de ônibus para os jogos, nas concentrações e após os treinos.

10- Negocia bichos. E fala pelo elenco
Luiz Pires/Vipcomm

Ceni representa o elenco nas negociações com a diretoria pelos "bichos" – premiações pontuais previstas para vitórias em determinados jogos e conquistas de títulos. Serve também como elo entre os jogadores e os dirigentes. Sempre que há reivindicação dos vestiários, é o capitão que leva o diálogo até a diretoria.

11- Por reservas motivados
Site oficial/saopaulofc.net

Os jogadores que costumam ficar no banco de reservas e às vezes nem são relacionados para os jogos – e consequentemente não participam das concentrações – relatam um Rogério Ceni próximo. O goleiro conversa brevemente com aqueles que vez ou outra não são lembrados pelo treinador e vivem momento negativo. Ceni tenta apontar o que cada um deve aprimorar e qual demanda deve atender para encontrar vaga entre os titulares.
12- Auxiliar técnico
Rubens Chiri/saopaulofc.net
A prancheta tática não é só do treinador, do auxiliar e de Milton Cruz. Rogério Ceni hoje exerce função próxima à comissão técnica e tem autonomia para apontar falhas e acertos do sistema tático, principalmente no setor defensivo.

Fonte: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2014/02/28/12-contribuicoes-quase-secretas-de-rogerio-ceni-ao-dia-a-dia-no-sao-paulo.htm

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Página Virada!

O que importa é o São Paulo!


O assunto que mexeu com o mercado do futebol neste mês, a "troca" de jogadores entre São Paulo e Corinthians causou grande repercussão na torcida Tricolor.
As linhas que vou escrever a partir de agora, são expressamente minha opinião sobre como a reação do torcedor  é descabida de bom senso, podendo o leitor concordar e descordar parcial ou integralmente do pobre mortal que vos escreve.

Jadson chegou ao Mais Querido em Janeiro de 2012, era uma grande esperança para a nação são paulina, que nos últimos anos amargava a falta de um camisa dez, um armador capaz de resolver a falta de criação crônica pela qual passávamos desde a saída de Raí. Embora o clube tenha conquistado títulos de suma importância após a era Telê, nunca mais tivemos um jogador tão identificado com a camisa.
Mas de certo modo o jogador nunca se consolidou a posição, apesar de chegar para ser  titular absoluto Jadson não conquistou a confiança de toda torcida. Eu mesmo sempre o achei (e meus textos estão ai para confirmar) um jogador sem personalidade dentro do campo. O meia custou á época € 3,8 milhões de Euros (cerca de R$ 8,6 mi) aos cofres do São Paulo, valor que por si só deveria justificar boas atuações.

O que vi no ano de 2012 foi um jogador apático, e que de principal passou a coadjuvante, mesmo com algumas assistências ficou claro já no primeiro momento que ele não era “o cara” que estávamos esperando. Logo de cara perdeu um pênalti no clássico contra seu time atual, fora ter atuado bem discretamente na mesma partida e ter sido substituído aos 14 minutos do segundo tempo.
- Calma! Ele apenas estreou, vai render muito no Tricolor! Era o que mais ouvia nos messes que se seguiram, só que essa melhora nunca chegou aos meus olhos, sem contar que aos mais próximos sempre confessei que achava que o jogador tinha na face o que chamo de “cara de choro” típica em atletas que não decidem partidas.
Defendendo o Tricolor Jadson conquistou uma Copa Sul-Americana, nos demais campeonatos falhou como todo o resto. A torcida por diversas vezes o vaiou em substituições, tanto que oito messes depois de sua chegada a diretoria anunciava a contratação de Paulo Henrique Ganso, feito comemorado e festejado pelo torcedor. E por quê?
Oras, porque o camisa 10 não tinha até então confirmado o futebol que segundo a imprensa o fez defender a seleção.  Jadson não era unanimidade nem para os críticos nem para os defensores, sempre houve um equilíbrio nessa disputa de opiniões.

Agora defendendo a camisa de um rival, o torcedor resolveu que o meia não devia ter saído do clube, o mesmo jogador que voltou fora de forma no começo da temporada, e o mesmo que perdeu a titularidade para Ganso dentro do campo sem parecer ter se importado muito.
A questão que deve ser analisada é simples:
- O jogador era essencial ao grupo? Não!
- O jogador estava em um bom momento? Não!
- O jogador alguma vez demonstrou superação? Não!

Vou parar com essas três perguntas, acredito que a maioria das respostas seriam negativas em relação ao papel que o atleta teve vestindo o manto.
O torcedor precisa entender que os elogios dos “jornalistas”, pelas duas partidas realizadas tem muito mais motivo emocional clubístico do que análise fria dos fatos.
Afinal agora o jogador defendo o time da “massa”, cabe a nós torcedores esquecermos o fato e focar no que é importante o São Paulo Futebol Clube, Jadson é ex-jogador do clube e como tal seu papel passa a ser o de figurar no passado, deixando o presente e o futuro para os que ainda vestem nosso manto.
Vou encerrar o texto que acabou se estendendo mais do que eu planejava com uma frase dita pelo jogador quando chegou ao Morumbi. Frase que analisada agora caracteriza promessa não cumprida.


 - Estou muito feliz em poder jogar no São Paulo. É uma honra e um orgulho muito grande poder retornar ao Brasil para defender esta camisa. Fiquei muito contente com o desfecho das negociações. Chego para ganhar títulos e poder mostrar ao torcedor brasileiro o futebol que me levou para a Seleção.


Gostou? Sim? Não? Em todo caso deixe seu comentário.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Uma Segunda Chance



O texto que segue abaixo curiosamente foi escrito por mim para o aniversário do Luis Fabiano, por contingências da vida não consegui publicá-lo no dia, e até por motivos óbvios o engavetei (hábito que tenho com tudo que escrevo).
Nessa quarta feira o atacante marcou três gols contra a equipe do Rio Claro, é isso não significa de jeito nenhum que  o camisa 9 tenha voltado a ser o matador de outrora.  Só fico resignado com os torcedores que gostam de diminuir os feitos de um jogador que chegou a marca de 182 gols com o manto e chegou a uma média de 0,67 (melhor de todos os atacantes do clube), e se igualou ao França como o 4º maior artilheiro da história.
O que escrevi no dia 8 de Novembro de 2013 me parece oportuno e viável de se publicar agora, é como "uma segunda chance"


_________________________________________________________________

Dias Melhores 

Não vou escrever estatísticas, nem vou falar do inúmeros gols que ele tem com o manto. Hoje como a maioria já sabe é aniversário de Luis Fabiano, o matador do Morumbi.
Já o critiquei em alguns momentos, já o defendi muito em outros. Mas no fim das contas tenho muita admiração pelo camisa 9 do Tricolor, muito pela demonstração de carinho que ele sempre teve com o São Paulo, mas também inegavelmente pela raça que ele sempre teve dentro das quatro linhas.

O momento não é dos melhores, Fabuloso vive dias complicados na carreira, para completar uma parte dessa "nova" torcida que se acostumou a ver o time apenas vencendo, não aprendeu a diferenciar critica de desrespeito, e por diversas vezes questionam a posição de ídolo  que ele tem. Sim! Luis Fabiano é um ídolo. A definição mais comum da palavra é que o termo expande-se da esfera divina para a esfera humana. Fabuloso é humano, mas vestindo a 9, já fez muitas coisas que jogadores comuns não tem capacidade de realizar. Eu cansei de ver dentro do Sacrossanto gols acontecerem em jogadas dadas como perdidas, mas não por ele.
Sempre escrevo que nenhum jogador é, ou pode ser maior que o próprio clube que ele defende, mas muito passam e deixam na memória do torcedor momentos incríveis, histórias que muitos vão contar a filhos e netos.
Eu vou contar que vi jogar um centro avante que fazia gols de todos os jeitos possíveis, que deixou de ganhar mais em um rival para jogar pelo clube que gosta. Um jogador que era um matador nato, que  tinha um temperamento forte, e que apesar dos cartões que sempre levava, era FABULOSO.
O futebol é um esporte dinâmico, cíclico. O que hoje não presta, amanhã pode ser o máximo, mas para mim sempre vale a mesma frase já usada em outras ocasiões.

"Para ser um ídolo, não necessariamente necessita-se de glórias, o caráter basta."

Ninguém consegue chegar a ser o 6º maior artilheiro de um dos maires clubes do mundo apenas fazendo gols sem importância, aceitar e digerir isso é no mínimo uma tremenda falta de bom senso. Parabéns Luis Fabiano, que dias melhores venham, que mais gols seus aconteçam, que sua história dentro do São Paulo ainda esteja longe de terminar.

_________________________________________________________________

Respeito muito a opinião dos iguais que são contrarias as minhas, porém sou de uma época em que respeitávamos muito os grande jogadores do clube, não pelos títulos e sim pela qualidade e carinho que eles tinham com nosso manto. 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Tricolor do Canindé

Elenco do São Paulo em frente ao Canindé


Sempre que possível remexo o baú e trago para vocês um pouco de nossa história, sou um estudioso do passado glorioso do São Paulo Futebol Clube. Nessas viagens ao passado fico impressionado como os dirigentes do Mais Querido tinham uma pujança para o progresso, e por mais que isso se torne repetitivo é difícil não comparar  o idealismo de fazer de um pequeno clube uma instituição respeitada e conhecido no mundo todo. Bem diferente do pensamento mesquinho e totalitário que tomou de assalto nosso Tricolor nos dias atuais.
No dia 29 de Janeiro de 1944, o São Paulo comprava uma área de 44.400m², conhecida como Canindé, o investimento era alto para o clube que havia publicado seu balanço do ano com déficit.
O balanço 43/44 apontou que o clube teve uma despesa de três milhões de cruzeiros (R$ 5.755.867,52 em valores atuais*) e uma receita de dois milhões e meio de cruzeiros (R$ 5.076.732,66 em valores atuais*).
Em meio a tudo isso estava a renovação de contrato de ninguém menos do que Leônidas da Silva, que dias depois da aquisição do Canindé assinou por mais três anos com o Clube da Fé.

Presidente Décio Pedroso assinando a escritura da compra do terreno do Canindé.


O Canindé era utilizado pelo Deutsch Sportive e em 1942 passou a existir como uma entidade filiada ao São Paulo. O pequeno clube de imigrantes alemães tinha receio de que o rompimento das relações diplomáticas do Brasil com os países do Eixo acarretassem problemas futuros. A fusão foi aprovada pelos sócios desde que o São Paulo assumisse as dividas e mantivesse as prerrogativas estatutárias do clube filiado.
Até então a área era alugada, a família Vanucci era a proprietária do terreno e em 1944 o venderam ao Tricolor por Cr$ 740,000,00 Cruzeiros (R$1.454.141,24 em valores atuais*), valor que só foi totalmente quitado em 1951. 



Maior do Mundo até então estava sediado na rua Dom José de Barros - República, desde 1938, e após a compra mudou a sede. O Canindé foi comprado para ser apenas campo de treinamento, nesse período o São Paulo mandava seus jogos no Estádio do Pacaembu, por esse motivo o Tricolor nunca atuou no local.

Canhoteiro treinando no local


O apelido Ilha da Madeira, existia devido a dois motivos, primeiro pela localização. Junto as margens do rio Tietê, era comum que durante as cheias todos os acesso à sede ficassem alagados ilhando-a a tal ponto que só se poderia chegar de barco. Segundo pelo fato de que as construções da região eram todas de madeira.
Muitas conquistas tricolores no atletismo aconteceram nesse período, o hexacampeonato do Troféu Brasil e o duo deca campeonato Paulista são exemplos do forte atletismo que o clube tinha na década de 40.
Em 1952 a diretoria começou um sonho "louco". Os dirigentes ousaram como nenhum clube já havia feito até então, hipotecaram o Canindé que acabava de ser pago um ano antes.

Competição de atletismo disputada no clube

O clube tinha pressa em arranjar um novo lar, existia um projeto de desapropriação de terrenos para a construção da Marginal, o que desestimulava a construção de um grande estádio no local.
O Clube até tentou uma troca com a prefeitura, doar a Ilha da Madeira e ficar com o local que abriga hoje o Parque do Ibirapuera, mas não obteve aprovação.
A hipoteca serviu para lançar a pedra fundamental no Morumbi, em 1955, o clube vendeu o Canindé a família Saddi pela quantia de Cr$ 11.922.795,50 (R$6.142.466,61 em valores atuais*), que o revendeu posteriormente a Portuguesa em 1956. 
Do valor arrecadado 40% foi pago diretamente a bancos credores para quitar a hipoteca, o restante cobriu outras dívidas, com pequena parte investida no Sacrossanto já em construção.
Com o passar do tempo esse trecho da história foi caindo no esquecimento, o Tricolor do Canindé passou a ser conhecido como Tricolor do Morumbi. As gerações mais novas de torcedores desconhecem o fato.
A Ilha da Madeira abrigou o Mais Querido por mais de uma década, e depois serviu de mola propulsora para a realização de um sonho tão grande quanto o clube que o realizou, na verdade essa é mais um prova de que o São Paulo nasceu galgado em um objetivo. O de ser grande.



*Os valores foram atualizados segundo tabela de correção do Banco Central






domingo, 26 de janeiro de 2014

O Adeus do Mestre


Todo torcedor do Mais Querido, sabe da importância do Mestre Telê Santana na história vitoriosa do clube.
O que quase ninguém sabe ou lembra, é como terminou a parceira mais vitoriosa do futebol na década de 90. Hoje completa-se dezoito anos da última vez que Telê sentou em um banco de reservas para comandar o São Paulo.
O ano era o de 1996, o Tricolor foi à Americana para enfrentar o Rio Branco pela primeira rodada do Campeonato Paulista, com uma temporada apagada no ano anterior, depois de tantos títulos conquistados no início da década e já sem a mesma força no elenco o time tentava se reafirmar dentro do campo.

A partida foi realizada no Estádio Décio Vitta, e ficou marcado pela péssima arbitragem de Francisco Dacildo Mourão. O soprador de apito marcou um pênalti inexistente contra o São Paulo aos 31 min. do primeiro tempo, a penalidade foi convertida por Marcos Assunção (ele mesmo). 
Minutos depois o atacante são paulino Valdir Bigode entrou na área, foi derrubado pelo lateral Polaco, o árbitro mandou seguir.
Aos 37 min. escanteio para o Mais Querido, o atacante Guilherme cobrou e marcou um gol olímpico, a partida estava muito tensa pelos erros cometidos pelo árbitro, e como um sinal dos céus uma verdadeira tempestade caiu sobre o gramado.
O jogo ficou paralisado por meia hora, talvez os Deuses do futebol estivessem ali dando o aviso de que aquele jogo, um empate rotineiro de começo de campeonato seria a despedida de Telê dos gramados.
Alguns dias depois o treinador foi internado após sofrer uma isquemia cerebral, na partida seguinte diante do XV de Jaú o auxiliar Muricy assumia a responsabilidade de dirigir a equipe. Após a vitória por 3 a 0, comissão técnica e jogadores dedicaram o triunfo ao treinador, que mesmo internado não conseguia se afastar do trabalho.
Os meses que se seguiram foram de muitas dúvidas entre a torcida, imprensa e dentro do próprio clube, Telê tinha contrato até Julho, mas a família do técnico não o queria mais a beira do campo. Os médicos não o liberavam para voltar ao trabalho, até que em Março o São Paulo deu ao treinador licença por tempo indeterminado, ao mesmo tempo promoveu Muricy Ramalho a técnico da equipe.

Mestre e discípulo

Telê tinha planos de retornar, a diretoria falava em um cargo dentro do futebol, mas que não exigisse tanto do treinador, no entanto o multi campeão enfrentava resistência dos familiares que não aprovavam. Em junho com a saída de Muricy e a contratação de Parreira acabavam de vez com o "Fio de Esperança" do torcedor de ver o mestre novamente no banco de reservas.

Muito se fala até hoje do homem que chegou ao clube para substituir Forlán no comando da equipe, mais do que os dez títulos conquistados o torcedor gostava mesmo era do estilo futebol arte que o treinador sempre pregou.
Gostava das folclóricas histórias que de vez em quando vazavam na imprensa, do jeito mau-humorado e paizão que era característico.
O são paulino respeitava o homem que abriu mão de morar em flat, hotel, mansão para ficar em um quartinho no CT da Barra Funda, do treinador que acordava cedo para caminhar pelo gramado observando cada detalhe e até arrancando erva daninha do gramado.


Até hoje em momentos de conquistas, o nome do Mestre Telê Santana é gritado a plenos pulmões pelas arquibancadas, confesso que quando isso acontece a emoção vem a tona. É lembrar de tudo que ele fez pelo Tricolor, é saber do valor e da humildade que ele sempre demonstrou, o homem sucumbe a alma não por isso Telê é Eterno.

"Atingir a perfeição é impossível. Mas aproximar-se cada vez mais dela, não."
(Telê Santana)